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Poetas da Academia de Cordel repudiam machismo

As mulheres que fazem parte da Academia de Cordel do Vale do Paraíba, em Itabaiana (PB), estão protestando nas redes sociais contra o machismo ainda existente no meio literário, muitas vezes camuflado. As poetas Claudete Gomes, Cristine Nobre e Anne Karolynne, principalmente, fizeram questão de publicitar o protesto que teve repercussão a partir de episódio vivido pela poeta Izabel Nascimento, de Sergipe.

Em 27 de junho, participando do III Encontro de Cordelistas Paraibano, a cordelista e poeta sergipana Izabel Nascimento abordou o machismo presente em nossa sociedade e que chegou, inclusive, ao Cordel. Desde então, a cordelista vem sofrendo diversos ataques nas redes sociais. As manifestações foram ficando cada vez mais violentas e, no último dia 4 de julho, um coletivo de mulheres escritoras assinou e divulgou uma nota de repúdio aos ataques sofridos pela cordelista. Desde então, o coletivo vem se manifestando, em campanha de repúdio pelas redes sociais, contra o machismo no meio literário.

A poeta Izabel Nascimento é atualmente presidente da Associação Sergipana de Cordelistas e atua há mais de 30 anos no cordelismo brasileiro e se tornou uma importante representação da escrita feminina. Ela trouxe à tona o preconceito de gênero que atua no país, inclusive no meio intelectual, onde as pessoas são vistas como mais abertas à evolução do mundo.

Em sua fala no encontro, Izabel Nascimento fez um apanhado histórico sobre as escritoras. Ela lembrou que até o século XX, muitas mulheres escreviam sob pseudônimos masculinos para que suas obras pudessem ser publicadas. Ela citou, como exemplo, a cordelista paraibana, Maria das Neves, que mesmo sendo filha de poeta, não pôde assinar o seu primeiro Cordel, em 1938, publicado no nome do seu esposo, Altino Alagoano.

Nas redes sociais, principalmente no Facebook e em grupos do WhatsApp, alguns cordelistas, em discurso característico de uma sociedade machista e patriarcal, fizeram diversos ataques à cordelista, para descaracterizar o que a poeta estava dizendo.  Muitos afirmavam que “isso não existe”, “tudo não passa de mimimi”; que não é machista porque “tem amiga mulher” e até descredibilizando o trabalho da poeta.

 

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